AMOR AD AETERNUM

Meu coração é alado.
Não te preocupes,
Estará sempre ao teu lado!
Na distância, por ti, velará
É servo do teu amor.
Em oração suplicará
Tua proteção ao Nosso Senhor.
Não temas as adversidades!
O mundo gira favorecendo
Às almas de luz
Que prezam a honestidade.
Meu coração vitimado
Por Cupido
A ti venera noite e dia,
Filho querido!
Corre-me nas veias
Amor, puro amor que
Em delicadeza bombeia
O dom da vida
A este amante coração
Acorretado e submisso
À eterna sina
De amar-te por devoção. (M.C.)

ENIGMAS

Eu que já viajei tantas águas,
Que conheço os segredos
Do rio profundo, o canto da Yara,
Os mistérios e encantamentos
Do boto vermelho e boitatá,
A cordialidade do Tucuxi,
O arrepio do canto da mata…
Sou incapaz de conhecer
Teu dissimulado riso
De louca Mona Lisa!!
Eu que miguei tabaco
Meloso, melado pro Matinta,
Tomei cachaça e proseei,
No toco do pau, com o Curupira,
Descobri o enigma do acauã,
Pássaro agourento,
A boca da noite escondida
No caroço de tucumã,
O gosto do café oferecido
Pelas mãos da simpática
Anciana da cacimba…
Ignoro teus desejos!!!
Perco-me na superficialidade
Do teu ocado olhar!
Por que te escondes
E te camuflas em meus beijos?
………………………………………………..
Ainda invadirei teus anseios
E visitarei teu limbo,
Matarei teu cão de guarda,
E com sangue pactuarei
Com tua alma de cunhã
E descobrirei teus mais
Íntimos segredos de muraquitã… (M.C.)

ESCOLHAS

ESCOLHAS

Ela escolheu a felicidade.
Deixou para trás toda tristeza
E foi viver apenas para os seus.
Esqueceu-se de toda maldade
Nas cuias de tacacá vespertinas.
Sim, viveu o amor como sina.

Adotou o riso como religião,
Enfrentou-se com seus medos,
E foi amar por devoção,
Como quem come pirarucu salgado
E lambe o prato do pirão.

Gritou ao mundo seus velhos segredos,
Seus fardos já não pesavam tanto,
Soube lidar com os rochedos
Que antes lhe causavam o pranto
E tornou-se adepta de peixe com limão!

Voltou a lavar roupa no pranchão.
Toldava a água para lembrar da infância,
E se dedicava a pegar cará doido com as mãos,
Colher rosas, papoulas e bonanças.
Sim, já lhe sorria a vida!

Esqueceu-se da inveja alheia
Que tanto lhe perseguia,
Saltou no rio, foi ser sereia
Que recitava trava-línguas.
Seu coração dissipou espinhos…

Arrumou cada dor no seu canto,
Vestiu-se com o seu melhor
Quebrou-se em pedaços tantos
E colou-se com seiva de mandioca.
Saiu da toca, cantou trovas
E seduziu-se por açaí com tapioca!

Buscou sua essência na humildade,
Inclusive, se apiedava das aves de rapina,
Dançou, no seu ritmo envolvente, a vida.
Do seu jeito torto, foi ser o melhor que pode,
Foi ser gente, gente de verdade! (M. C.)

SOLIDÃO

Passos vazios
Por estreitos caminhos,
Emudecem os corações
De tantos pés ávidos
Por incertos destinos…
Sou mais um na multidão
Com passadas duvidosas
Espreitando vidas
Do alto de minha
Avessa estranheza…
Logo eu que me tinha
Por um ser humano normal,
Dou-me conta desta
Existência formal
Tão daninha!
Lado a lado e sequer
Uma saudação!
Olhos que se veem
E se retiram bruscamente
De um suposto encontro!
Bocas que se calam
Com sede de silêncio!
Pensamentos que
Se perdem no nada
De um caos doente,
Infectado pelo vírus
Da prazerosa solidão!
Passos e passos que
Se perdem no nada,
Escassos de sentimentos,
Sem direção. (M.C.)

O RISO

Pouco riso,
Menos siso.

A vida plena
Implora emoção
Nada vale à pena
Se tudo é filtro da razão.
Jogue-se na corrente
Salte abismos
Sinta-se gente
Com direito a desatinos.

Muito riso,
Mais siso.

Corra riscos,
Porque há momentos
Que é preciso.
Libere-se dos tormentos
Acredite em seu potencial
A vida exige audácia
Tudo é jogo de cintura no final
Sorria e espalhe graça
Porque o riso escancara portas
Transmite luz e paz
Aviva as horas mortas
É atitude audaz.

No final, o riso é brisa
Guia a alma e o juízo
Tem pés alados.
É dom celestial.

Portanto,
Muito mais riso
Menos pranto
E longa vida! (M. C.)

O TEMPO

O Tempo dá o tom
Das cores da vida.
O Tempo é o dom
Da divina Lira.
O Tempo é a chispa
Dos anseios escondidos.
O Tempo é o bálsamo
Dos corações doídos.
O Tempo é um vate
Vociferando sabedoria.
O Tempo é artífice
De grandes maravilhas.
O Tempo é onipresente.
O Tempo é o arrebato sutil
Do inesperado vento.
O Tempo é o despir da alma
Do que já não faz falta.
O Tempo é enxurrada
Que leva o desalento.
O Tempo é o sopro divino
Que dita nossa Sina. (M.C.)