A VÉSPERA

O pernil bronzeado no forno dança
um balé ao compasso bumbá
Ela chora frescas cebolas roxas
pensando nos engradados de cerveja
que se refrescam no frizzer da vizinha
esperando para compartilhar a velha ceia
A missa do galo nem pensar! É tanta
a demora que a prece se tece com o olhar
fixo e perdido na panela fervente do arroz
Resmungando, agradece o ano velho
e faz votos de mirabolantes dietas para o novo
Mas se limita a poucos detalhes
e se enche de promessas enganosas
O celular anuncia, ao som do Safadão, a amiga
preocupada com o vestido, os sapatos,
maquiagem, cabelo, o cretino do ex e a farofa
O marido ainda não voltou do supermercado
Tão perto e tanta demora pra trazer a ervilha!
Merda! A camisa do Jorginei ainda por passar!
Eu mato ele quando ele chegar!
Chegou com a cara de cachorro abandonado
pela mudança. Esse filho da mãe não tem jeito!
Já estava tomando umas e eu aqui aperreada!
Mas é véspera de ano novo e nada de brigas
Abrimos uma latinha e nos beijamos com amor
Somos felizes, apesar da dura lida!
Mais um ano que se vai, o amor sempre fica.

(Marta Cortezao)

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